13.7.10

A questão (delicada) das prendas de casamento



Este é um assunto de que muitas pessoas evitam falar, por suscitar reacções muito variadas e por poder melindrar alguém.
Quando vamos a um casamento, é normal oferecermos uma prenda, tal como fazemos em qualquer outra celebração. Mas, ao contrário, por exemplo, de um aniversário, em que qualquer lembrança é bem-vinda, nos casamentos parece haver uma espécie de etiqueta ou obrigação. E é isso que complica as coisas.
Para além disso, há diferenças enormes entre diferentes países e diferentes culturas.
Em Portugal, penso que o mais comum é oferecer dinheiro, com o intuito de ajudar o casal nos primeiros tempos. Muitos casais preferem este tipo de presente mas, ao mesmo tempo, há pessoas que o consideram impessoal e efémero. Eu acho que pode ser uma boa opção quando o casal já tem a casa recheada e se torna complicado encontrar um objecto para oferecer. Claro que há sempre a possibilidade de oferecer 'cheques-prenda' para uma determinada loja ou, por exemplo, 'vouchers' de experiências, como um fim-de-semana num hotel, umas actividades radicais, um retiro gastronómico, entre muitas outras opções. O risco que se corre nesse caso é de os noivos não arranjarem disponibilidade, ou de não haver compatibilidade entre a disponibilidade dos noivos e a das empresas em questão.

É também uma boa ideia oferecer algo directamente relacionado com o dia do casamento, como a noite de núpcias, o ramo, o aluguer do carro, a música, as flores, …
No entanto, normalmente só nos sentimos à vontade para o fazer se tivermos bastante proximidade com os noivos.

A lista de casamento tem uma grande utilidade quando o casal está ainda a decorar a casa e a comprar electrodomésticos e outros objectos essenciais. Pode ser feita em vários tipos de lojas, e normalmente a informação é dada aos convidados apenas no caso de eles perguntarem.
Em Portugal há pessoas que o fazem, claro, mas noutros países é quase "obrigatório", mesmo que o casal já partilhe casa há vários anos. Por exemplo, em Inglaterra, é habitual oferecer-se apenas presentes que são indicados na lista, e vai contra a etiqueta não o fazer. E, para meu espanto, é muito comum fazer referência à lista no próprio convite, indicando a loja e o código, e mencionando a data a partir da qual vai estar disponível.

Em Portugal, o local mais comum para ter uma lista de casamento é talvez o El Corte Inglés, que permite escolher os presentes online. O sistema deles é prático para os noivos, mas confesso que não me agrada muito: depois do casamento, os noivos podem 'converter' os presentes em dinheiro e optar por outras coisas da loja. Tem a vantagem de permitir evitar que se fique com conjuntos incompletos, por exemplo, mas tem a desvantagem de enganar de certa forma os convidados, que escolheram um presente específico e afinal acabaram por dar algo diferente sem saberem. E, no fundo, acaba por ser semelhante a dar dinheiro de presente.

Ainda quanto ao dinheiro, achei interessante quando descobri que é algo comum de se oferecer em casamentos judaicos (normalmente em múltiplos de 18, por equivaler ao "CHAI" - Vida). Será essa a origem da tradição em Portugal?

Quanto ao valor do presente, é também algo que gera controvérsia. Há pessoas que dizem que o normal é oferecer uma quantia (ou um presente de valor equivalente) baseada no número de pessoas e no valor que os noivos vão pagar por cada pessoa. Eu pessoalmente não gosto de ver as coisas dessa forma, por vários motivos. Um deles tem a ver com o facto de as pessoas terem sido convidadas para uma festa e não para um jantar da empresa em que é suposto cada pessoa pagar a sua refeição. Outro refere-se à decisão de casar e à escolha da data, do local e de todos os outros detalhes, que foram feitas pelos noivos não tendo em conta a disponibilidade dos convidados a vários níveis, incluindo o financeiro; ninguém tem obrigação de estar no momento certo para dar determinada prenda.

Por estes e por muitos outros motivos, não me parece uma boa ideia estar à espera dos presentes para pagar a festa. Claro que o que vier é (muito) bem-vindo, mas é preferível não ter grandes expectativas.

Juntamente com o presente, normalmente os convidados oferecem um postal com uma mensagem pessoal para os noivos. No meu caso, se estiver inspirada gosto de tentar encontrar algo simbólico para oferecer.
Uma vez vi uma ideia muito interessante: oferecer papel de carta e uma caneta/pena bonita para escreverem cartas de amor um ao outro.

Quanto ao momento certo para oferecer os presentes, idealmente é nos dias/meses que antecedem o casamento. No entanto, às vezes é apenas possível fazê-lo no próprio dia. Nesse caso, o melhor é perguntar aos familiares directos dos noivos (pais ou irmãos, normalmente) se há alguma regra estipulada a respeito de quem recebe os presentes. Quando não há, eu pessoalmente prefiro esperar por um momento em que os noivos estejam menos ocupados e oferecer directamente.

Para os noivos, a minha sugestão é escolher uma pessoa próxima da noiva e outra próxima do noivo para ficarem responsáveis por guardar os presentes e  por escrever os nomes de quem os deu caso as pessoas não se tenham identificado.
Depois de chegarem de lua-de-mel, os noivos podem agradecer o que receberam, quer pessoalmente quer por correio.


Qual é a vossa perspectiva acerca dos presentes de casamento?
Há alguma tradição na zona onde vocês moram?

8 comentários:

2amigas disse...

Pessoalmente prefiro oferecer dinheiro, mesmo não sendo tão pessoal. Só se for muito próxima dos noivos é que ofereço outra coisa. Isto porque, actualmente, a maior parte dos casais já moram juntos à anos e têm casa toda mobilidada... Prefiro jogar pelo seguro. Quanto à tradição aqui da zona é os electrodomésticos, se não é tradição é o que todos dão!
bj Sophie

Sofia disse...

Adorei a ideia do papel de carta...vou copiar:)
Ok, mas ofereço algo mais...não sou assim tão forreta!
Bj

Queen of Hearts disse...

Ui, que isto dava tanto pano para mangas! :P

Eu, por norma, ofereço dinheiro. Não me baseio no valor pago pelos noivos (muitas vezes nem sei quanto é!), mas sim no meu bom-senso e disponibilidade financeira do momento. Tento sempre personalizar a oferta com um cartão escrito por mim, com uma mensagem dedicada aos noivos.

Já ofereci objectos, faço-o sempre que os noivos têm lista. Caso contrário, tenho receio de arriscar num objecto que não seja do agrado deles - e daí optar sempre pelo dinheiro.

Por hábito, se sou convidada para um casamento e por qualquer motivo não vou, costumo oferecer uma lembrança à mesma (mas não dispendo tanto como se fosse).

Por fim, no meu caso em particular, preferi que os meus convidados, a oferecerem alguma coisa (porque a todos foi dito o mesmo quando perguntaram, que não eram obrigados a oferecer nada - e era sentido), optassem pelo dinheiro. Pelo simples motivo de que já vivíamos juntos, já tínhamos casa mobilada e recheada... Não faria sentido.

Ah, e não sou NADA apologista de se esperar pelas prendas para pagar o casamento. Normalmente dá asneira. Nós poupámos bastante dinheiro e tivemos enormes ajudas da família e amigos mais próximos, que com as suas prendas nos foram oferecendo itens, como o catering (pais), alianças (mana), lua de mel (avó), fato completo do noivo (outra mana), coro da igreja e animação de dança na festa (padrinhos de casamento)... Enfim, ajudaram-nos tanto que acabou por nos sobrar bastante dinheiro (do que havíamos poupado) no final! Foi sorte, mas não estávamos nada a contar com isso, pelo que planeámos tudo com bastante antecedência e minúcia nos cálculos. :)

JS disse...

Que eu saiba, aqui na zona já é muito habitual oferecer dinheiro.´
Eu acho o mais indicado para os noivos (claro, se estes não fizerem lista de casamento). Oferecendo dinheiro, os noivos podem aplicar naquilo que considerem mais vantajoso, mesmo que já tenham a casa mobilidada.
Acho que agora já não se vê tanto, mas antes as pessoas até colocavam no convite algo parecido com isto "O mais importante é a vossa presença, mas se quiserem oferecer alguma coisas que seja em dinheiro". (Algo parecido com isto)
O meu namorado é da opinião que devemos colocar no nosso convite, eu não concordo. Não quero colocar isso no convite.
Embora seja aquilo que nos seja mais útil, prefiro não colocar e acho que as pessoas (se quiserem oferecer alguma coisa) irão tomar a iniciativa de oferecer em dinheiro.
E nós preferimos dinheiro, não porque tenhamos a casa mobilada, pois não temos, mas sim para podermos dar maior utilidade à boa vontade das pessoas sem correr o risco receber coisas que não gostamos ou que não vejamos utilidade.
Porque a verdade é que os gostos não são iguais nem as necessidades.

JS disse...

Claro que também não acho que devemos esperar pelas prendas para pagar o casamento. Devemos fazer mediante as nossas possibilidades e gostos.

RMC disse...

Se fosse cmg tb preferia k me dessem dinheiro em vez de objectos que dps n goste. Sei de pessoas k ofereceram objecto caros mas sem utilidade para os noivos e os noivos ofereceram essa mesma prenda a outra pessoa :x

Portanto essa coisa do ser prenda mais pessoal e dps lembra-se de mim, neste caso n s aplica pk nem sequer ficou para eles...

Vee disse...

Acho que a "tradição" por aqui é oferecer dinheiro.
Pessoalmente prefiro oferecer dinheiro ou eventualmente comprar algo da lista.
Quando os noivos têm lista acho descabido estar a oferecer um presente que não conste nela (a não ser que saibamos mesmo que aquele objecto vai ser apreciado), é como se estivesse a lançar dinheiro ao lixo literalmente.
Não associo nada uma pessoa a um objecto pelo que para mim essa concepção não faz sentido. Lembro-me de quem esteve e como esteve presente no casamento, pouco de quem ofereceu isto ou aquilo.

Débora-1 disse...

Uma lista de casamento numa agência de viagens, para quem já tem tudo em casa. Uma boa opção para fazer uma viagem de sonho.

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