27.6.12

Entrevista à FLOW, um atelier de design floral responsável por autênticas obras de arte

Gosto de recomendar profissionais com bom gosto e sobretudo com grande credibilidade e profissionalismo. Nesta área, como em muitas outras, considero importante ser-se muito selectivo e analisar muito bem o trabalho de quem se contrata. O casamento é um dia demasiado importante e temos mesmo que confiar nas pessoas que escolhemos para ficarem responsáveis por detalhes que consideramos essenciais.

Foi nesse sentido que decidi entrevistar Marta Ivens Ferraz, responsável pela FLOW. 
Para além das imagens que estão disponíveis no site do atelier, no blog e também na página do Facebook, esta entrevista permite-nos conhecer um pouco das perspectivas e da forma de trabalhar da Marta, que pude comprovar que é extremamente simpática, correcta e profissional.


1. Como surgiu o contacto com as flores?
Sou Arquitecta de formação. Durante alguns anos, após terminar o curso, trabalhei em ateliers de arquitectura. Era um trabalho de que gostava mas que não me preenchia totalmente. Gostava da vertente criativa, mas era também um trabalho muito técnico e que não dependia predominantemente de mim pois trabalhava para outros arquitectos. Confesso que o que mais me incomodava era ter pouco contacto com o exterior e não ter controlo sobre o meu tempo. Os horários eram desregrados e no fim do dia sentia-me mais cansada do que realizada.

Foi nessa altura que decidi fazer uma pausa e pensar no futuro, redefinir os meus objectivos profissionais e de vida. Foi uma decisão difícil porque significava uma reviravolta de 180º sem garantias de sucesso. Não sabia especificamente o que procurar e decidi experimentar várias coisas. Fiz um curso de ilustração científica, tive aulas de pintura, experimentei fazer joalharia. Sabia que procurava uma actividade com uma forte vertente artística, onde me pudesse exprimir livremente. Era esse o meu meio e não queria abdicar disso, nem negligenciar a minha formação em arquitectura, que é bastante transversal do ponto de vista criativo.

O contacto com as flores surgiu nesta fase. Nunca tinha pensado nas flores como matéria-prima artística e isso encantou-me. Foi uma descoberta que aconteceu no momento certo, era a oportunidade perfeita e não pensei mais noutra coisa. Tirei o curso de Design floral de um instituto norte-americano onde aprendi muito sobre a técnica dos arranjos florais, como cuidar das flores e que me deu as bases para trabalhar com segurança.


2. Como surgiu a ideia de se dedicar aos bouquets de noiva e também à decoração de casamentos?
Os bouquets de noiva e a decoração de casamentos surgiram naturalmente. Cedo percebi que a maior satisfação é o contacto com as pessoas e com a natureza. Nada me dá mais alegria e me proporciona maior realização pessoal e profissional do que ver uma noiva emocionar-se de alegria na altura que vê pela primeira vez o seu bouquet, ou receber mensagens de agradecimento dos noivos quando vêem os arranjos no próprio dia do seu casamento. É um privilégio poder participar em momentos importantes e marcantes na vida das pessoas. É isso que quero continuar a fazer cada vez mais e por isso devo confessar que o trabalho de preparação de eventos e casamentos é o que me traz mais satisfação.



3. O seu trabalho é bem recebido em Portugal?
Penso que sim. Embora não tenhamos ainda uma grande tradição de decoração floral para eventos e casamentos, cada vez mais as pessoas vão-se apercebendo que as flores podem fazer a diferença, e com o passar do tempo tenho visto um interesse crescente nesta área.


4. Em geral, quais são as diferentes etapas do seu trabalho desde o primeiro contacto com os noivos?
Só realizamos arranjos florais por medida, personalizados, específicos para um determinado local e para cada cliente, por isso, e para corresponder às expectativas, há um "trabalho de casa" a realizar.

Antes de fazer uma proposta falo com as minhas noivas, trocamos ideias e até costumo enviar um pequeno questionário com os detalhes de que necessito para elaborar uma proposta adequada. Depois reunimo-nos, e tento perceber qual é a sua visão, o estilo do local, quais as flores disponíveis para a época, as cores pretendidas e qual o “budget” com que posso trabalhar. Com base nestes dados faço uma proposta. É sempre um trabalho em conjunto e penso que é por isso que me dá tanta satisfação. Tento acompanhar os meus clientes em todas as suas decisões e proponho alternativas até chegarmos ao resultado esperado. Todo este processo demora algum tempo e por isso tudo tem de ser tratado com alguma antecedência, mas é a única forma de garantir o resultado pretendido.


5. É comum os noivos terem desde o início uma ideia definida do estilo que pretendem?
Depende, há de tudo. Há noivos que têm uma ideia muito clara daquilo que querem e outros que não fazem a menor ideia, mas é comum todas as ideias que têm serem transformadas. Dou sempre o exemplo dos vestidos de noiva: uma pessoa sonha com o vestido e normalmente tem uma ideia muito concreta do que quer, mas quando experimenta "o vestido" todas essas ideias desaparecem e muitas vezes são opostas ao que tinham pensado. Com as flores acontece o mesmo!


6. Como explica a disparidade de preços entre um ramo normal e um ramo de noiva com as mesmas flores?
Esta é uma questão muito pertinente. Penso que qualquer pessoa que não esteja directamente ligada ao negócio pensa nela. As flores não são mais caras por serem para um bouquet de noiva; o que acontece é o seguinte:

Vamos supor que vou fazer um ramo de noiva, escolho a cor principal das flores e mais dois tons aproximados (um abaixo e outro acima) encomendo pelo menos 40 pés de cada tom, ou seja, um ramo que leva 20 pés de flores tem por trás pelo menos 120 pés que não se vêem, além disto os meus ramos têm uma grande variedade de flores, portanto para encomendar uma quantidade suficiente de cada flor é muito dispendioso. Junta-se o facto de ser muito cautelosa e normalmente ter um plano B, uma alternativa em quantidade suficiente se alguma coisa falhar. Depois das flores chegarem e de as arranjarmos começa o processo de as abrir até à altura certa, umas estragam-se pelo caminho, outras não abrem, outras abrem demasiado, quando finalmente vou fazer o ramo 1/3 das flores já não aproveito. Além de todo este processo temos também de ter em conta todas as reuniões e tempo despendido para ultimar todos os pormenores com a noiva.


7. Nota alguma diferença nos critérios dos noivos e/ou no tipo de bouquets e de decoração de há uns anos para cá?
A principal diferença que tenho vindo a notar é o crescente interesse no que diz respeito à decoração floral. Penso que há uns anos atrás era muito mais difícil fazer ver às pessoas a enorme diferença que faz uma decoração coesa e pensada para todo o evento. Acho que a informação que chega do estrangeiro têm contribuído para isso. Penso que as pessoas estão mais informadas e por isso mais exigentes, o que é óptimo!


8. E as tradições têm mudado?
Na minha perspectiva não. Há muitos tipos de casamento, os tradicionais, os mais conservadores, há sempre alguém mais atrevido e vanguardista, mais romântico... E embora todos procurem a diferença, não tenho visto realmente uma mudança nesse sentido.


9.Há algum estilo de decoração que seja da sua preferência?
Tendencialmente gosto mais de arranjos com um aspecto natural, mais próximo da natureza. Tento não "contrariar" as minhas flores e aproveitar ao máximo as diferenças que têm. Adoro quando chega uma flor torcida cuja posição não é óbvia, adoro o desafio!

Tenho a grande sorte de fazer o que gosto e acho que ao longo do tempo tenho vindo a formar uma visão própria dos meus arranjos, uma linha condutora do meu trabalho e penso que as pessoas me procuram por isso mesmo.


10. O que é que acha que deve ou não deve combinar num casamento, especialmente em relação a cores?
Acho que não há regras assim tão rígidas. Gosto de experimentar mas é preciso ir com alguma cautela no que diz respeito às cores.

Para mim funciona sempre melhor escolher uma cor e fazer variações de tom, é sempre uma aposta segura!


11.Tem material próprio que costuma reutilizar em diferentes casamentos, ou compra tudo aquilo de que precisa de propósito para cada casamento?
Tenho material meu que utilizo nos casamentos e muitas vezes compro acessórios específicos para cada caso. Gosto de pensar que tenho 2 ou 3 básicos que posso complementar com material alugado ou com material que compre especificamente para aquele evento.


13. Fornece outro tipo de serviços complementares?
Embora o meu negócio esteja completamente direccionado para as flores, em quase todos os casos acabo por ajudar as minhas noivas com uma série de outras vertentes, porque dou uma grande importância à correlação de todos os aspectos da decoração. Os arranjos florais sobressaem muito mais se estiverem inseridos e coordenados com tudo o resto.

Acabo por ter uma relação muito próxima com as minhas noivas e vamos vendo crescer todos os preparativos, acabamos por desenvolver uma relação de confiança que permite esta interacção. Muitas vezes ajudo a encontrar os vestidos, a fotografia, o local, os sapatos... dou conselhos sobre estacionário... enfim, tudo o que precisarem.


14. Trabalha em colaboração com outros profissionais de casamentos?
Sim, tento estar rodeada por profissionais com os quais me identifico, que tenham o mesmo posicionamento que eu, que encarem os clientes da mesma forma e com os quais sei que posso contar!


15. Se casasse agora, que tipo de escolhas faria?
Hummm, que pergunta difícil...

Faria muita coisa diferente, acho que optava por uma cerimónia mais íntima, faria eu as flores, tinha feito um bolo de casamento maior! Apostava no que agora considero ser importante: as imagens que guardamos do dia, o vestido, o local e, claro, a comida! 
No fundo, acho que contratava a minha sósia para fazer o planning e eu poder estar descansada...


Muito obrigada, Marta!

1 comentário:

Fran Huesa disse...

adorei...e deu varias dicas...


bju

respireecase.blogspot.com.br

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