3.8.10

Entrevista à fotógrafa Matilde Berk

Depois da entrevista ao DJ Ricardo Machado, chegou a vez de entrevistar uma fotógrafa que, apesar de não trabalhar nesta área há muito tempo, já é reconhecida a nível nacional e internacional.

O seu nome, Matilde Berk, praticamente dispensa apresentações.




Há quanto tempo é que fotografa casamentos?
Celebrei o meu primeiro ano de actividade no dia 10 de Junho deste ano. Os meus primeiros registos de casamento foram feitos em Braga num casamento particularmente animado pelo facto de os noivos, amigos e até o padre que celebrou a cerimónia, praticarem danças de salão.


Sempre sonhou ser fotógrafa e, em particular, fotógrafa de casamentos?
A fotografia é uma paixão antiga, ligada à minha formação de designer e uma actividade que retomei em 2005 quando me dediquei exclusivamente à fotografia de paisagem. A fotografia de casamentos é uma paixão recente. Comecei por tomar contacto quando investigava sobre o conceito trash the dress. As imagens que vi nessa altura mostravam uma forma inovadora de tratar o tema dos casamentos, uma lufada de ar fresco e algo com que me relacionei de imediato. Resolvi lançar um casting para encontrar noivas que estivessem dispostas a usar o seu vestido numa sessão do tipo e escolhi o fórum “O nosso casamento” para o fazer. As candidatas foram mais do que eu inicialmente esperava e os resultados foram determinantes na minha decisão.


Há algo que a tenha surpreendido neste mundo dos casamentos?
As pressões a que os noivos são submetidos para tomarem decisões que nem sempre são do seu interesse.


Como é que os noivos a costumam abordar pela primeira vez?
Na maioria dos casos, a primeira abordagem é feita por email mas também existem noivas que me telefonam, e até as que me querem conhecer pessoalmente ainda antes de terem uma proposta.


Marca alguma reunião antes do casamento para que se conheçam melhor?
Tenho várias reuniões com os meus noivos, faço mesmo questão de acompanhar os planos de perto, dar sugestões, ideias e, porque sou uma fotógrafa que prefere a luz natural para criar as suas imagens, ajudá-los na planificação das actividades do dia optimizando os tempos em decorrem e as horas de luz disponíveis para as registar.  O meu objectivo é aproveitar os momentos do dia para criar o maior número de situações fotográficas e mostrá-las depois nas imagens que faço. Contudo o elemento mais importante da fotografia de casamento são as pessoas, e as emoções e assim sendo, o conhecimento próximo que estabeleço com os meus clientes, e que advém dessa partilha de informação e desse esforço conjunto para desenhar o dia, é facilitador de uma maior expressividade e da manifestação de comportamentos mais genuínos, como eu costumo dizer, a inibição despede-se para dar lugar à cumplicidade e naturalidade entre quem fotografa e quem é fotografado. Esta naturalidade sente-se nas imagens que produzo.


Costumam fazer sessões fotográficas de noivado? Que vantagens é que vê nessas sessões?
Sim, costumo fazer sessões pré-nupciais e aconselho-as a todos os noivos.  Para além de serem uma excelente forma de percebermos antecipadamente que tipo de trabalho faz o fotógrafo que estamos a pensar escolher para nós, são normalmente o “start point” da relação de confiança que se instala entre as duas partes e que no dia é tão importante. Quando o resultado final destas sessões estimula nos noivos sentimentos de gratificação e eleva a sua autoestima, está criada a relação de confiança tão necessária no dia do casamento.


E nas sessões depois do casamento, como Trash the Dress?
As trash the dress são sessões fotográficas onde a criatividade e o tempo são um luxo. Não são sessões para destruir o vestido como o nome pode erradamente fazer crer. O vestido fica um pouco mais sujo mas nada que uma sessão de lavandaria não resolva. No dia de casamento, o tempo é curto e precioso para repartir pela família, pelos amigos e por todas as actividades que se planearam para o dia. Não resta muito tempo disponível a ambos para celebrar a união numa sessão fotográfica conjunta. Uma TTD é um adeus simbólico ao vestido. Assume-se que não se volta casar, e que este é o homem das nossas vidas, excelentes motivos portanto para ambos festejarem, com a maior das felicidades, num ambiente descontraído onde se pretende criar um conjunto de imagens mais cuidadas, mais artísticas, e fora do registo do casamento enquanto evento mais formal. Costumam dizer os meus clientes, que estas imagens são as que se penduram nas paredes do quarto.


Nota muitas diferenças na atitude dos noivos nessas 2 sessões, ou mesmo comparando com o dia do casamento?
A diferença é obviamente visível. A naturalidade e o à-vontade com que se movem em frente à câmara é totalmente diferente e à medida que vão fazendo estas sessões vão despertando eles próprias para questões mais técnicas ligadas à fotografia como sejam a composição, à luz e o posicionamento de si próprios enquanto parte das várias composições. Ficam igualmente mais sensibilizados para a beleza dos cenários simples que se podem transformar em elementos determinantes na execução de uma imagem deliciosa. As mulheres, um pouco mais despertas para as questões de imagem, acabam elas próprias por liderar mais as sessões.


Há alguma dica que queira dar aos noivos?
No dia de casamento lembrem-se sempre da presença da vossa fotógrafa ou fotógrafo.  Ter consciência da sua presença  e aproveitá-la ao máximo para criar situações fotográficas enriquece a reportagem do dia do vosso casamento e o vosso álbum de histórias. Depois existe o sorriso. Ninguém resiste a um sorriso bonito e a um casal de noivos simpáticos e cheios de glamour. Costumo dizer aos meus noivos que o dia de casamento é uma curta metragem, os noivos são os personagens principais - tudo o resto gira em seu redor!


Costuma dar sugestões relativamente ao vestido, ao fato, ao bouquet, ao local ou a outros pormenores?
Sempre que a minha opinião é pedida sim, sem dúvida. Não só isso como ainda recomendo aos meus clientes locais por onde passei e cuja qualidade do serviço apreciei. Na festa de casamento devem primar a elegância e o glamour desde o local da boda, à indumentária escolhida. 


No dia do casamento, como faz para conseguir ter tempo para tirar fotos ao noivo e à noiva antes da cerimónia?
Acompanho os noivos desde muito cedo e planeamos antecipadamente os tempos de forma a poder acomodar os dois. Às vezes é impossível porque a distância entre os locais assim o dita. Quando assim é, deixo a noiva logo a seguir ao momento em que esta se veste e faço companhia ao noivo na recepção aos convidados.


Costuma tirar fotos aos convidados com os noivos? Como faz para que não se torne aborrecido?
Claro que sim, há fotografias que são um must no álbum de casamento. É preciso perceber a mensagem dos noivos: quando estes dizem não querer fotografias de pose, o que na verdade não querem é um processo longo e aborrecido. Até à data de casamento vou criando com os noivos uma relação de proximidade, isso permite-me interagir com eles e com os seus convidados: sou uma pessoa bem disposta, organizo brincadeiras e esquemas com os convidados onde aproveito para os fotografar enquanto estão envolvidos nelas. Os restantes convidados acabam por se aproximar para participar também. Às vezes gostava de me clonar para fazer perspectivas diferentes das situações que vou criando. O que os clientes esperam dos fotógrafos é que estes registem a passagem e presença das pessoas naquele dia, como é que isso é feito depende da criatividade de cada um. Eu prefiro fazê-lo entre gargalhadas e brincadeiras. É um estilo diferente.


Há algum ritual nos casamentos de hoje em dia que ache que deveria mudar?
Abolia o arroz que simboliza o pão, a fartura e substituía-o pelo bolo da noiva servido à saída da igreja com um brinde de champagne entre noivos e todos os convidados e debaixo de uma chuva de papelinhos coloridos.
O momento em que o noivo vê a noiva pela primeira vez. Tornava-o num momento recatado, intimo, longe dos olhos convidados, algo só deles e dividia o protagonismo da entrada na igreja pelos pais de ambos à frente, padrinhos a seguir e por fim os dois lado a lado, em igualdade de circunstâncias. O conceito do pai entregar a filha ao futuro marido está ultrapassado.


Qual é a momento que prefere num casamento?
Não tenho preferência por um momento especifico. Os casamentos são únicos e os momentos também. 


Aconselha os noivos a terem fotografia e vídeo? Que opções é que costuma oferecer?
É uma decisão pessoal. São dois produtos diferentes que se complementam na narração da história do dia. Se tivesse que optar entre ambos, por uma questão de orçamento, optava sem dúvida pela fotografia primeiro, porque o ciclo de vida das imagens é muito superior, depois pela portabilidade e pelas inúmeras possibilidades de criar múltiplos produtos associados que possibilita: as fotografias para oferecer, os álbuns, os livros, os posters enfim desde que haja criatividade e orçamento quase tudo é possível com as imagens do dia. O vídeo enquanto produto é menos versátil.


Em que formato é que os noivos têm acesso às fotos? Está incluído um álbum? Ficam com as fotos em formato digital e em alta resolução? 
Os noivos vêm o resultado da reportagem numa galeria web protegida por username e password. O álbum é um produto que pode ser comprado separadamente. Os noivos são aconselhados a fazer a compra depois de receberem as imagens da reportagem. Os álbuns de casamento são objectos caros e o seu preço depende do número de páginas que o compõem. Como podem os noivos decidir se querem um álbum com 40 páginas se não sabem ainda se terão imagens para lá pôr?


E os convidados? Têm acesso a algum site onde possam escolher as fotos que querem, ou os noivos é que tratam disso?
Os convidados vêem a mesma galeria que os noivos. Aliás as informações de acesso são difundidas pelos noivos, são eles que gerem o acesso de outros às suas imagens. Caso algum dos convidados pretenda ter uma cópia de algumas das imagens faz o seu pedido por email e a imagem é-lhe enviada à cobrança.


Qual é a sua opinião acerca do estilo vintage que agora vemos em tantos casamentos e em tantas fotos? 
O recurso ao estilo vintage revela o saudosismo dos tempos em que o glamour e a sofisticação de Hollywood influenciavam as festas diversas. Os veludos, as rendas, os chapéus, acessórios para o cabelo, as luvas altas em pele ou de cetim, os penteados estruturados e os brilhantes eram um must e estão de volta. É um estilo que se adequa lindamente, na minha opinião, ao tema casamento por ser romântico e muito versátil. 


Se casasse hoje, que tipo de escolhas faria?
Se estamos a falar de festa, uma sala ampla, com um pé direito alto num palacete antigo, candeeiros de cristal num tecto artisticamente trabalhado e candelabros de casquinha nas mesas. Arranjos de peónias brancas ou rosa nas mesas e espalhadas pelos recantos da sala. Um momento para partilhar com a família e os amigos mais íntimos.



Muito obrigada, Matilde, pela simpatia e pela disponibilidade!

8 comentários:

Tânia (Mamã do Santiago) disse...

Amei a entrevista...e esta parte entao:

Há algum ritual nos casamentos de hoje em dia que ache que deveria mudar?
Abolia o arroz que simboliza o pão, a fartura e substituía-o pelo bolo da noiva servido à saída da igreja com um brinde de champagne entre noivos e todos os convidados e debaixo de uma chuva de papelinhos coloridos.
O momento em que o noivo vê a noiva pela primeira vez. Tornava-o num momento recatado, intimo, longe dos olhos convidados, algo só deles e dividia o protagonismo da entrada na igreja pelos pais de ambos à frente, padrinhos a seguir e por fim os dois lado a lado, em igualdade de circunstâncias. O conceito do pai entregar a filha ao futuro marido está ultrapassado.


Se casar faço isto, AMEI

Lita disse...

ADORO a Mat e o trabalho dela! Sou fã desde a sua primeira TTD, desde então acompanho o seu trabalho que sempre me surpreende.

Adorei lê-la aqui no teu cantinho!

Obrigada pela partilha,

Lita

with love fotos disse...

Gostei muito de ler! :)
Uma grande senhora, sem qualquer dúvida!

Beijinhos

Mami disse...

Adoro os trabalhos da Matilde sou fã dela a n tempo...
Beijos

Matilde Berk disse...

A todas peço desculpa pelas gralhas no texto. O tempo urge e nem sempre sobra para a revisão cuidada que devia ter sido feita. Volto mais tarde para tratar dos erros mais escandalosos. Entretanto, para a autora do blog vai um beijinho especial e o meu agradecimento pelo privilégio que me foi dado e para as leitoras do hojevoucasarassim, um beijo enorme e sejam sempre muito felizes. Sempre.

Mat

Queen of Hearts disse...

Uma pessoa e uma profissional excepcional, que é um privilégio conhecer e um gosto ter trabalhado. Que o futuro nos traga a oportunidade de repetir a colaboração!
Beijinhos à entrevistadora e à entrevistada!

Queen of Hearts disse...

Passe o meu mau português, credo! Saiu-me um bocadito ao lado, mas a mensagem entende-se e é isso que importa! :P

veeny disse...

Escuso de dizer k adorei ler e que AMO o seu trabalho!! E concordo com "Às vezes gostava de me clonar para fazer perspectivas diferentes das situações que vou criando." Iria ser um "must" ter 2 excelentes fotografas no país :P

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